OLHAR DA BECCA


O preço da Coragem ou do amor?

 

Assistindo o filme O Preço da Coragem e todo aquele enredo, infelizmente verídico parei para pensar nas tantas vidas que se doam em prol ao próximo.

Acho que o filme deveria se chamar O Preço do Amor.

Porque paga-se um alto preço atualmente por amar alguém...

Mas transformamos o amor em algo tão banal. Agora é considerado tolo dizer que se ama alguém e pior ainda demonstrá-lo.

E eu não falo de demonstrações com carros alegóricos ou de faixas penduradas. Falo de simples atos voluntários de amor, como doar sangue,  ceder o lugar no trem, ouvir um amigo, dar um abraço. Estes sim são esquecidos e muitas vezes menosprezados.

E quer saber? Não há nada de heróico ou belo, simplesmente porque isto tudo deveria ser natural, deveria vir das entranhas...

Mas voltando ao filme, a parte  que mais me tocou é quando a esposa do jornalista decapitado afirma que ela não pode parar de acreditar no mundo porque está grávida.

Não julgo terroristas por atos presunçosos, nem julgo políticos por roubos descarados, não julgo traficantes por alimentarem um mundo cada vez mais cinza e nem julgo meu vizinho por não me dar Bom Dia.

Julgo a todos que tentam ordenar e acabam desordenando tudo.

Julgo quem julga e sendo assim, conscientemente julgo a mim.

E se eu fosse monge? Será que me livraria de tantos ruídos que sempre me deixam com a sensação desoladora de que posso morrer sem ver as tantas mudanças que sonho para o mundo?

Tudo bem, este é um texto um tanto pessimista.

Talvez não tenha olhado para o girassol na janela, para minha sobrinha de apenas um mês rindo sem ao menos saber onde está ou até mesmo para minha mãe acariciando meu cabelo ou fazendo panquecas com mel apenas porque pedi.

Posso acordar e ficar feliz, mesmo sabendo que torturam pessoas, que mutilam e estupram crianças.

Mas me disseram uma vez que eu não poderia abraçar todos os males do mundo, caso contrário morreria depressiva ou esquizofrênica.

Então abraço quem eu posso e quem eu consigo. Talvez utopicamente eu ainda acredite na corrente do bem...

Rebecca Araujo



Escrito por becca às 19h10
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