Nada é por acaso...

Deveria ser uma noite comum como tantas outras, mas Letícia sentiu que talvez algumas coisas tivessem mudado.
Seu corpo parecia diferente e a pressão no seu peito também. Ela só pode chegar e pensar baixinho em filmes românticos. Não lhe restou fôlego para sonhar, porque aquele dia tinha sido um sonho, talvez apenas um sonho...
E assim com o romantismo peculiar da maioria das mulheres ela olhou o casaco que ainda tinha um pouco do cheiro dele e disfarçadamente o cheirou e foi dormir. Parecia uma criança, parecia uma adolescente, parecia uma entre tantas outras que sonham com um final ou talvez com um momento feliz.
E Letícia pensou que o próximo dia seria como um dia comum, pensou que tudo estaria ao seu controle como sempre foi. Ela acreditava que comandava seus sentimentos, achava que poderia frear o que talvez devesse acontecer, afinal nada é por acaso.
No outro dia Letícia ainda podia lembrar-se do beijo, da mão no seu pescoço e da conversa, podia lembrar-se do aperto e principalmente da ansiedade. Não sentiu fome, estava alimentada sabe-se lá de quê. Não sentiu cansaço apesar do pouco tempo de sono, estava com energia sabe-se lá de onde.
E assim Letícia saiu devagar do trabalho, não queria ser ansiosa, falante e boba como tantas vezes foi. Letícia pisava em ovos, ela ainda tentaria sair devagar de si mesma e despistar seus próprios sentimentos.
Esta seria uma escolha dela, ou talvez não, afinal nada é por acaso.
Escrito por becca às 16h00
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