Lavínia e Theo

Os passos eram rápidos e não conseguia olhar ninguém nos olhos.
Lavínia naquele dia estava bela, com o cachecol verde entrelaçado com fitas, um presente de Theo e as buzinas e assobios eram escutados ao fundo porque seu coração parecia uma orquestra sinfônica.
Theo sempre esteve em seu pensamento, mas Lavínia talvez quisesse negar a profunda admiração e amor que indiretamente nutria por ele nos últimos 7 anos.
Talvez a vida dela fosse muito boa e ela que reclamasse demais...
Porque com certeza duraria mais que aquele girassol de R$1,50 no tanque... Mais um presente de Theo.
Disseram: Basta procurar e ele virá.
Ela sabia que amava Theo e que ele com certeza abriria seus braços para ela, mas o fato de apenas ficar com ele a corroia.
Ela queria compromisso, mas não sabia como lhe dizer... Tinha medo da grande influência que isto teria em sua vida.
Mas como ele não era mal educado, apenas entraria no seu coração se ela o chamasse...
Era um relacionamento com muitas dúvidas, mas um relacionamento onde Lavínia tinha certeza absoluta do poder que Theo tinha sobre ela, da sua existência...
Muitas vezes ela não o escutava e nem percebia os sinais, mas naquele dia toda corajosa resolveu encarar os fatos, encarar o quanto ele fazia falta.
A culpa chegou porque talvez Lavínia não o amasse tanto quanto era necessário.
Talvez Lavínia quisesse negar o óbvio, ele era indiscutivelmente o predestinado.
Mas ainda assim esperava o equilíbrio, a água transformada em vinho, seus milagres...
Prometeu a ela mesma que iria estabelecer mais contatos.
Ia explicar seus espinhos, compartilhar seus óleos...
Ia colocar nas suas mãos tudo que Theo vinha lhe proporcionando, a sua vida...
Naquele momento em que o sol começou a baixar, o vento tocou seu cabelo e a inspiração estava a sua frente, todo o resto ficou pequenino.
Ah Theo e seus diversificados presentes...
E com a força que só grandes amores podem ter, Lavínia respirou aliviada...
Porque ela sabia que Theo era tudo e que nunca, em nenhum momento ela estaria abandonada...
Escrito por becca às 01h46
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